DIAGNÓSTICO DE CÂNCER AINDA É GARGALO PARA PACIENTES DO SUS

//DIAGNÓSTICO DE CÂNCER AINDA É GARGALO PARA PACIENTES DO SUS
O jornal Folha de S.Paulo destaca que desde 2014 está em vigor a chamada Lei dos Sessenta Dias, a qual determina que todos os pacientes com câncer devem ser tratados na rede pública até dois meses após o diagnóstico. No entanto, quatro em cada dez casos esperam mais do que o prazo legal para receber atendimento, de acordo com dados do Siscan (Sistema de Informação do Câncer) do Ministério da Saúde. “A lei pressupõe que o paciente consegue chegar imediatamente a um hospital especializado em câncer, mas, antes disso, alguns passam por mais de oito consultas”, diz Merula Steagall, presidente da Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia). No Estado de São Paulo, o prazo de 60 dias costuma ser respeitado, diz Paulo Hoff, diretor do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), que atende 10% dos casos de câncer do SUS estadual. “Somos referência, exceção no Brasil. Mas, às vezes, ficamos sobrecarregados porque pacientes de Estados vizinhos vêm procurar tratamento aqui”, explica Hoff à reportagem.

Demora de diagnósticos trazem consequências em valores

A Folha de S.Paulo destaca ainda que, em São Paulo, 55% dos casos são diagnosticados nos estágios três e quatro, mais avançados e difíceis de tratar. No país, são 60%. Essa demora, consequência da lentidão, pode custar até 19 vezes mais aos cofres públicos. Para apressar o diagnóstico, uma nova lei está em tramitação na Câmara dos Deputados, estipulando que todas as consultas e exames em casos suspeitos de câncer sejam realizados em até 30 dias. Minas Gerais foi o primeiro Estado a criar legislação. A regulamentação é aguardada para os próximos meses. O Estado terá de criar 12 novos centros especializados em diagnóstico oncológico. O tratamento de um câncer de intestino no SUS, em seu estágio inicial, custa cerca de R$ 4 mil. Nas fases críticas, o valor chega a R$ 76 mil. “No câncer, o tempo corre contra. Em casos de leucemia, por exemplo, é preciso internar o paciente em poucos dias, mas monitoramos demora de até cinco ou seis meses” diz Luciana Holtz, do Instituto Oncoguia. A falta de transparência para saber o início do tratamento é outa dificuldade apontada por Luciana Holtz. “O paciente se sente perdido, não há um site que mostre quando o exame foi agendado, quando é a próxima consulta, quando começa a quimioterapia. Tem que esperar por uma ligação da central de regulação da fila”, ressalta Holtz à Folha.

Planos de saúde e hospitais: eles brigam e nós perdemos

Os hospitais viraram grandes varejistas de materiais. Como Cristiane Segatto, colunista da revista Época, as práticas nefastas decorrem do modelo atual de remuneração dos hospitais pelos planos de saúde. Ele é chamado de “conta aberta” ou “fee for service” (pagamento por serviço). Todo e qualquer item usado no atendimento (dos mais banais aos mais sofisticados) é colocado na conta. Os planos de saúde reclamam que os hospitais cobram muito mais do que valem os produtos empregados no tratamento de seus beneficiários. A alternativa da moda é o conceito de cuidados baseados em valor, conhecido pela sigla VBHC, derivada do inglês “value-based health care”. O modelo proposto por Michael Porter e Elizabeth Teisberg parte do princípio de que o objetivo final da atenção à saúde é gerar valor para o paciente. Segundo a definição dos autores, a análise de valor deve considerar os resultados de saúde importantes para o paciente, em relação ao custo de alcançar tais objetivos. De acordo com essa proposta, a reestruturação dos sistemas de saúde depende de algumas etapas importantes: adoção de unidades de prática integrada, medida de desfechos clínicos, análise de custos, pagamento por pacote de serviços, integração de sistemas, tecnologia da informação e expansão geográfica.

Debate nacional sobre doenças raras

O pesquisador em saúde pública, Cláudio Cordovil Oliveira, aborda, em artigo publicado na Folha de S.Paulo desta segunda-feira (01), reportagem recente intitulada “Governo vê uso de brasileiro como cobaia por laboratório estrangeiro”. Segundo o pesquisador, é sabido que o fabricante do medicamento em questão está sob investigação, desde novembro de 2015. Tal investigação refere-se a supostas irregularidades relacionadas a outro fármaco, indicado para o tratamento de hipercolesterolemia familiar. “Dito isso, posso afirmar que o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), que ampara a reportagem, contém imprecisões. Isso tem comprometido o debate nacional sobre doenças raras, por simples ignorância, voluntária ou não, de suas especificidades enquanto categoria classificatória. A resultante é que pacientes e familiares, já massacrados pelo opróbrio dessas condições potencialmente letais, têm de buscar os tribunais para reivindicar um direito que lhes é inequívoco”, diz ele em trecho do artigo. As ilações sobre supostas “cobaias” na reportagem em questão, na falta de “evidências mais robustas”, são apenas especulações, salvo melhor juízo. Cordovil ressalta ainda que outra imprecisão do referido parecer e da reportagem, por extensão, é exigir que “a comprovação de eficácia do medicamento pleiteado [se dê] à luz da medicina baseada em evidências (MBE)”. Quem fala em MBE fala em Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS).

SAÚDE NA IMPRENSA

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Época – Cristiane Segatto – Planos de saúde e hospitais: eles brigam e nós perdemos

Folha de S.Paulo – Diagnóstico de câncer ainda é gargalo para pacientes do SUS

Folha de S.Paulo – Opinião: Cláudio Cordoval – Doenças raras e cobaias humanas

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O Estado de S.Paulo – ANS suspende venda de 41 planos de saúde

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O Globo – ‘Para ter acesso a pacientes, falo até com extremistas’, afirma diretor do Médicos Sem Fronteiras

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