VIVEMOS MAIS, E ALGUÉM TEM QUE PAGAR ESSA CONTA, DIZ MÉDICO À FRENTE DA AMIL

//VIVEMOS MAIS, E ALGUÉM TEM QUE PAGAR ESSA CONTA, DIZ MÉDICO À FRENTE DA AMIL
À frente da maior operadora de planos de saúde no país, a Amil, o oftalmologista Claudio Lottenberg, 57, defende novas regras para os planos, incluindo a que permite que idosos tenham reajuste maiores nas mensalidades. “Vivíamos 40 anos e agora passamos para 80. Alguém precisa pagar essa conta”, diz ele, que preside há um ano a operação brasileira do grupo UnitedHealth Group, que controla a Amil, em entrevista à Folha de S.Paulo. Para ele, há muito desperdício no sistema de saúde por fraudes, falta de informações e processos. A Folha questiona o que ele pensa sobre a discussão na Câmara dos Deputados para a mudança nas regras dos planos de saúde. “Há contribuições, mas algumas são muito irracionais. Tem contribuição que pode fazer sentido até um grupo sugerindo que os planos coletivos não possam ter aumento além daquele que os planos individuais têm hoje. Há muito abuso em relação a reajustes dos planos coletivos. Isso impulsiona, inclusive, a judicialização do setor. Aí tem duas coisas: existe a judicialização, que é exigir o que deveria ser oferecido e não está, e existe a judicialização que ultrapassa os limites contratualizados. Isso busca apoio numa estrutura que é um juiz que tem visão legalista, mas lida com a situação que nasce da caneta do médico que fez a demanda. A gente tem visto que nem sempre são demandas apropriadas. É contra isso que a gente tem que lutar. Por outro lado, quando se demanda algo, mas o contrato não previa, essa demanda extraordinária, se repetida, tem impacto como um todo. Pode se tornar insustentável”, responde Lottenberg à Folha.

Benificiários, em milhões

Queda no número após a crise fez com que operadoras pressionassem por mudanças na lei. A Folha questiona se é por isso que os planos defendem a opção de um rol mais reduzido. “Quando a gente fala de um rol mais reduzido, ou mesmo de plano popular, estamos trazendo mais oportunidade de aporte de recursos para saúde. Você desonera o setor público [com consultas, por exemplo] e dá o direito que a pessoa quer. E todo mundo ganha. Corre-se o risco de judicializar e desfazer. Mas sou favorável que ele possa existir”, diz Lottenberg. Ainda em entrevista à Folha, Lottenberg é questionado: “A Câmara também discute a possibilidade de os planos dos idosos serem reajustados. O senhor concorda?”. Ele responde: “Essa discussão acompanha a que ocorre na Previdência. Se você quer que as pessoas se aposentem aos 65 anos, o reajuste das mensalidades tem que ir para os 65. Se aumentar a capacidade contributiva cobrando mais, dá um respiro. “Há um ano o sr. mudou de lado, saiu da direção do Einstein e assumiu a Amil. Qual a principal diferença?”, questiona a Folha. “Tenho uma vantagem. Continuo no sistema hospitalar, porque a UnitedHealth tem a America, com 34 hospitais. E continuo sendo médico oftalmologista. Vejo razões de insatisfação em todas as partes. Mas vejo oportunidades e sinergias em todas elas”, ressalta parte da entrevista.

Enfermeiros vão à Justiça para retomar atribuições no SUS

O Conselho Federal de Enfermagem apresentou na sexta-feira (6), à Justiça, um pedido para que os profissionais possam voltar a requisitar consultas e exames na atenção básica e a revalidar receitas médicas nos serviços públicos de saúde. É o que informa o Estadão. A atividade foi proibida pelo juiz da 20ª Vara da Justiça Federal de Brasília em ação promovida pelo Conselho Federal de Medina. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) divulgou uma nota em que se diz preocupada com o risco que as limitações poderão provocar para a Estratégia da Saúde da Família. Diante da proibição, o Cofen recomendou que seus associados interrompam atividades como a solicitação de exames e renovação de receitas médicas até que a situação seja revertida na Justiça. Nessa primeira etapa, o Cofen vai pedir a reconsideração da decisão da Justiça. Caso a estratégia seja mal sucedida, o conselho vai recorrer ao Tribunal Regional Federal. De acordo com o Cofen, a liminar usa como justificativa uma lei que já não está mais em vigor. Além de representantes de enfermeiros, a decisão da Justiça preocupa as prefeituras. O presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, Mauro Junqueira, afirmou ao Estadão que deve procurar representantes de médicos e enfermeiros para chegar a um acordo. “Na nota, a SBMFC observa que em vários países com sistemas de saúde universal a presença do enfermeiro é essencial”, afirma o Estadão.

‘Podemos pensar em cura da hemofilia’, diz hematologista

Em entrevista ao jornal O Globo, a coordenadora do grupo de coagulopatias hereditárias do Hemorio, Mônica Cerqueira, conta sobre os avanços no tratamento da hemofilia. A O Globo ela responde sobre o que os novos medicamentos podem mudar no tratamento da hemofilia. “Muda bastante. Para os pacientes que têm inibidor, atualmente há dois tipos de tratamento. Oitenta por cento dos sangramentos dos pacientes com inibidor respondem a esses tratamentos, mas 20% desses sangramentos não conseguem ser controlados. Então teríamos mais opções a partir de agora. São medicações novas, que precisamos avaliar mais e também vai depender do custo”, diz. Podemos estar perto da cura?, questiona O Globo. “Se a terapia gênica (inserção de um pedaço do gene responsável pela produção do fator dentro do vírus e posterior inoculação no paciente, para que o próprio organismo volte a produzir o fator) conseguir manter o nível estável dos fatores homeostáticos, podemos pensar em cura, sim”, responde Mônica. “O Hemorio vai participar desses estudos?”, pergunta O Globo. “Vamos participar da fase 3 do estudo do emicizumabe, uma etapa mais avançada que amplia o número de pacientes testados na primeira etapa da fase 3. Do Hemorio participarão pacientes com inibidor”, destaca a coordenadora no Hemorio. “A crise pela qual o país passa afetou o repasse de verbas para o tratamento da hemofilia?”, é outra questão do jornal. “O Ministério da Saúde até o momento não mudou nada. Hoje, o tratamento de hemofilia no Brasil é bom. Estamos perto de 4 unidades per capita (UPC, quantidade de fator usada pela população), temos profilaxia primária e secundária. Não somos a Suécia, que tem 7 UPC, mas lá são 300 pacientes e aqui, 12 mil. Temos conseguido fazer muita coisa”, enfatiza Mônica na entrevista.

SAÚDE NA IMPRENSA

Folha de S.Paulo – Julio Abramczyk – Os possíveis riscos da contaminação por hepatite A
Folha de S.Paulo – Marcelo Leite – Cientista dá psicodélico para minicérebros, e eles gostam

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